Estava andando na rua e vi um rastro de sangue na calçada.
Fiquei triste observando.
De que corpo era aquele sangue ?
Quais sofrimentos foram infligidos naquele corpo a ponto do mesmo
se romper e deixar sair algo que sempre deve estar (bem) guardado ?
Depois entrei em pânico com a possibilidade daquele sangue ser...
meu sangue...Lembrei que sempre faço aquele caminho.
Hoje mesmo, de manhã, quando não era mais do que uma promessa de
vida, eu me arrastei pela calçada.
Então, pensando assim, o sangue poderia ser meu.
Lembrei também que à tarde, quando meus sonhos ainda existiam, também
andei por aquele caminho e novamente pensei que o sangue poderia ser o meu.
Tenho medo de passar por ali e sei que vou passar hoje à noite.
É o meu caminho. É o caminho que faço para chegar a algum lugar.
É o caminho que escolhi para chegar a algum lugar.
Na verdade, é o único caminho que ainda me resta para caminhar.
Se aquele, hoje, não é o meu sangue...
Amanhã, provavelmente, será...
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